Por isso...

Aqui teremos papos, desabafos, dicas, receitas e tudo que possa facilitar nossa correria diária de ser mulher, mãe e tal
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

NO OLHAR DE UMA CRIANÇA...

Já estudei muito. Já li muitos livros. Já assisti muitas palestras e pregações. Tudo isso me ensinou bastante, mas não posso negar que “ser mãe” é o maior exercício de aprendizado pelo qual poderia passar.

É no convívio com meu filho e com seus coleguinhas, quando fico de perto ou de longe observando as brincadeiras, conversas, risos e choros, que tiro lições para dividir com os outros pela vida inteira, pois elas me aproximam cada vez mais do Criador, pois eu sempre me perguntava: “ Por que será que Jesus ensinava que os homens deveriam ser como crianças? Pensando bem:

- A criança é pura, inocente e sincera, mesmo que isso cause constrangimentos aos que a cercam. “ Você é gorducha” – falou Enzo a uma grande amiga minha, ao chegar em sua casa. Fiquei calada, enquanto o reprovava com o olhar e minha amiga caia na gargalhada. “ Fique tranqüila, Scheila” – disse ela, que realmente estava acima do peso. “Meu filho já fez o mesmo e ainda pior. Depois de me ver chamando uma colega de ‘chata’, dias depois, ao encontrá-la na rua e depois de cumprimentá-la, esbravejou: ‘ minha mãe disse que você é uma chata’, revelou minha amiga, que nessas alturas não sabia “aonde enfiar a cara”. A criança faz jus ao “sim, sim”, ou “não, não”. Ela não usa o “meio termo”.

-A criança reproduz o que vê e ouve e, com a mesma rapidez, é capaz de propagar aos quatro cantos do mundo aquilo que acredita. (E se nós, adultos, levássemos isso tão a sério?)

- A criança jamais julga alguém por sua aparência. Para ela, o homem engravatado e o mendigo desarrumado, desde que tenham um sorriso sincero no rosto, são iguais. (Diferente de nós, que gostamos de um tribunal).

- A criança sabe espernear quando quer alguma co isa, nem que isso lhe custe horas de insistência e lágrimas. Ela não desiste fácil. (Nós, muitas vezes, queremos desistir antes mesmo da primeira tentativa).

- A criança não tem pressa. Relógio? Só de brincadeirinha e em qualquer lugar sabe aproveitar ao máximo cada minuto. Ela vive como se não existisse outro dia. Enzo sempre costuma dizer, suspirando: "Este foi o melhor dia de minha vida”. Mas esta frase se repete rotineiramente, ou seja, para ele todos os dias são “os melhores”. (Ao contrário de nós, que só pensamos no amanhã, deixando de viver o hoje).

- A criança acredita tanto nos seus sonhos, que é capaz de pular da janela, sem medir conseqüências, só para dizer que é um super herói. (Os adultos se esquecem disso).

- A criança é tão cheia de amor que não dá abraço nem beijo forçado. Tudo o que faz é com intensidade e verdade.(E nós?).

- A criança não guarda mágoas. Se discute com um coleguinha, até faz “bico”, mas minutos depois é rendida pela vontade de viver e volta a brincar, como se nada tivesse acontecido. Ouvi de Pedro, amigo de Enzo, sobre outro coleguinha que saiu da escola depois de ter ficado dois anos na mesma turma: “Ah, o Leo mordia, empurrava, batia, mas que saudades dele”. (Precisa falar mais?).

- A criança não se importa com o que vão pensar dela. É capaz de vestir camisa amarela, calça verde e tênis laranja e se achar a mais linda de todas. O que importa é que quem escolheu as peças foi ela mesma. (Quantos de nós já não se importaram mais com os outros, do que consigo mesmo?).

- A criança sempre “se entrega totalmente” em tudo que faz. Se está no parque, corre até cansar, se está comendo, se lambuza toda, se está no banho, molha todo banheiro, se está brincando, vira príncipe, sapo, tudo ao mesmo tempo, pois a intensidade e a sede de viver é tanta, que há espaço para tudo e todos. (E nós nos preocupamos com a roupa para lavar, quando há tantas ainda para serem usadas).

- A criança é capaz de traduzir as quatro estações do ano em um só dia. É capaz de ficar doente só para ver seus pais deixarem as desavenças de lado e se unirem para tratar dela.

- A criança ama a vida e, amando a vida, ama o seu Criador, por isso se torna tão especial. Sendo assim, aprendamos com ela a exercitar o direito de viver.

Abraços de urso...

Mamãe Scheila



Scheila Cristina Frainer Yoshimura é jornalista há mais de 13 anos, tendo passado por vários veículos de comunicação, como TVs, rádios e jornais.  Atualmente atua com assessoria de Comunicação Social e escreve para o Blog da Mamãe e também para o Blog Virtuosas , no qual as mensagens são fruto de um trabalho voluntário que ela desenvolve com mulheres. No currículo, o destaque maior fica por conta de mãe do Enzo, de cinco anos, que hoje a inspira a escrever sobre a difícil, porém recompensadora, arte de ser mãe!





Scheila, muito obrigada por aceitar o nosso convite, o que vc escreve toca na alma!!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu brinquei, tu brincaste e eles continuam brincando!

Hoje é o “dia das crianças” e quem ganhou um belo presente fui eu, quando a Tati me abordou na escola e me convidou para escrever sobre a importância do brincar na primeira infância para o blog que participa. Além da delícia do convite que acabara de receber, fiz uma saudosa viagem ao modo com o qual cresci como a criança que fui, e que acreditem, continua em algum lugar do meu coração. Lembrei-me rapidamente do cheiro do mato e da textura do barro quando inventava fazer comidinhas, lembrei-me das bonecas de pano, dos banhos de chuva, dos surfes nas ondas do Ribeirão da Ilha nos dias de vento sul com os primos, da parede do quintal que meus pais permitiram que fosse a minha parede de artes e afins, onde a tinta e muitas invenções aconteciam, das parecerias dos amigos da rua quando pegávamos todas as almofadas e fazíamos uma brincadeira que chamávamos de “o caminho do trem fantasma”, das cabanas que criávamos para colocar em ativa o nosso “clubinho”. Recordo-me inclusive da senha que usávamos para ingressar no mesmo, segredo este que, infelizmente, por mil motivos não posso revelar a vocês. Lembro-me principalmente do sorriso aberto e tranqüilo da minha mãe ao me observar brincando e inventando moda enquanto os dias passavam e eu crescia. Ela era uma mulher pontual nos combinados comigo, mas me permitia inventar, criar, sentir, vivenciar... Penso que ela era um belo exemplo para a pedagogia predominante de mais de trinta anos sem nunca ter feito esta graduação, onde a grande maioria dos meus amigos ficavam submetidos a responder apenas quando questionados, escrever apenas quando solicitados, reproduzir apenas o que os outros pensavam, como se estas fossem escolhas inerentes do ser humano. Então, dá para imaginar: quando a “ovelha negra” aqui se juntava para brincar com os outros pequenos, na certa novidades e farras aconteceriam! Talvez este tenha sido um dos motivos pelo qual eu era pouco convidada para brincar na casa de minhas amigas. Mas em compensação, todos meus amigos de infância se convidavam para brincar e dormir na minha casa, onde o portão servia de rede de vôlei quando viramos adolescentes.

Nesse período conheci o Ata, meu marido e pai dos meus dois filhos. Coincidentemente quando nos vimos pela primeira vez, estávamos brincando: ele jogava vôlei com alguns amigos e eu acabava de voltar de uma boa partida de taco. Uma das coisas que mais gostamos um no outro foi o modo com o qual havíamos sido crianças. Ata cresceu no interior do Estado de SC, em que os afazeres da fazendo misturavam-se em um milhão de brincadeiras. Recordo-me de que um ano depois do nosso namoro iniciar, fui conhecer o lugar em que ele havia vivido suas experiências de infância.

É fato que durante a visita meu olhar já estava modificado, pois já cursava as primeiras fases do curso de Pedagogia. Assim, ao descer do carro depois de observar muitos hectares de terra, meus olhos brilhavam ao sentir os disparos do meu coração! Quanto espaço, quantas árvores frutíferas, quanta lama meu Deus!!!! Quanta coisa boa! Banho de rio gelado, histórias contadas na roda, comida da horta plantada por ele! Parecia surreal, mesmo para mim que havia experimentado tantas possibilidades enquanto criança.
Pela primeira vez tive a certeza sobre as dúvidas que sentia sempre que o via resolvendo tudo tão facilmente! Sempre cheio de mil idéias, o Ata não se apurava e nem se apertava em situação alguma. Tudo era resolvido com uma boa dose de humor! A frase: “O Ata é assim porque brincou quando criança” virou carro chefe aqui em casa. E é assim até hoje!

Quando os filhos nasceram e chegaram na idade em que viver a experiência do brincar com outras crianças nos parecia ser fundamental, conhecemos todas as escolas alternativas de Floripa, pois morávamos num “apertamento” e buscávamos espaço e terra para eles. Naquele período eu ainda era estudante das últimas duas fases de pedagogia e Ata havia iniciado o curso de Direito. Quando estávamos com as crianças em casa, lembro-me de inventarmos brincadeiras com brinquedos não estruturados para que a Julia e o Vitor descobrissem nas coisas mais simples a possibilidade de criar, se encantar e imaginar, aspectos esses que não deveriam ser um direito na infância e sim um dever no processo do crescimento de todas as crianças. Tocando no mundo, explorando os desejos, o ser curioso, imitando os adultos nos papéis da brincadeira, as crianças passam a compreender como funciona o mundo real e para que ele serve, além daquilo que o olhar e a idéia da criança permitem que possa ser reinventado e melhorado por ela. Desse modo, pelo menos aqui em casa, alguns lençóis viravam pano de fundo para o cenário de uma “peça” que as crianças inventavam apresentar, ou uma caverna de monstro quando insistentemente o Ata escolhia brincar assim com o Vitor, a capa de um super herói com grampo de roupa no pescoço ou até mesmo uma rede para brincar de deitar e ser embalado enquanto segurávamos as pontas e levantávamos as crianças até meia altura.

Para brincar é fundamental que o adulto a princípio, esteja ao lado da criança como o parceiro que vai ajudá-la a organizar os espaços, os materiais e tudo mais que precisar para que a brincadeira e um mundo de mil ideias possam ser colocadas em prática. Como as crianças não nascem sabendo brincar e precisam do outro para descobrir como funciona esse processo, consideramos a brincadeira como algo socialmente aprendido. Com o processo de crescimento em andamento é possível observar que a interação das crianças ao brincar vai ganhando outras complexidades e muita autonomia, o que nos leva a observar bem mais do que intervir e dar idéias.

Se “Einstein teve tempo para brincar”, livro que estou lendo e que indico para pais e educadores, por que nossos filhos não teriam?
Brincando eles serão mais felizes, mais bem resolvidos, mais autônomos, mais tranqüilos, mais seguros, mais criativos, mais generosos, mais inventivos, mais encantados e encantadores, mais, muito mais mesmo, as crianças felizes e comprometidas que devem ser!
Feliz dia das crianças!!!
E parabéns a todos os pais que as permitem viver a infância!!!               
Um beijinho,
Fabricia    


Fabrícia d’Avila Exterkoetter, mais conhecida por Fá, é uma verdadeira apaixonada pelas relações que se estabelecem entre as pessoas e pelo desenvolvimento infantil. Concluiu seus estudos em Pedagogia, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Agosto de 2000. Desde lá não parou mais. Fez estágios na sua área e trabalhou como educadora da Infância com todas as faixas etárias que compreendem esse período. Atualmente é diretora pedagógica da Escola da Oca e coordena um trabalho com 28 educadores (professores, estagiários e apoio da Equipe Pedagógica), além de realizar formações pedagógicas com profissionais da área da Educação Infantil a respeito de “Projetos de Trabalhos” para a Infância. Fá também desenvolve outro grande papel: é mãe do aventureiro Vítor e da linda Júlia.





Fá querida, muito obrigada por aceitar o convite! Parabéns pela família linda que tanto admiro!
Beijos, beijos
Tati

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O que é Doula?

Bom dia a todas, meu nome é Cristina e recebi o convite da Tati pra falar um pouco sobre os meus serviços de doula.

Doula é uma profissional que educa as gestantes durante os últimos meses sobre o parto, cuidados com o bebê, cuidados do pós-parto, amamentação etc. Além disso eu acompanho todo trabalho de parto e parto para ajudá-las a ter o parto ideal que elas querem. Além da informação, dou apoio, a presença da doula na maternidade mostra para os médicos que a mãe sabe como tudo funciona e que ela esta fazendo de tudo para ser respeitada. Com isso podemos diminuir em 50% as taxas de cesárea ,diminuir em 20% a duração do trabalho de parto, diminuir em 60% os pedidos de analgesia, diminuir em 40% o uso da oxitocina e diminuir em 40% o uso de forceps.

O valor do acompanhamento varia de doula para doula, as experiências, as formações acadêmicas, e a média nacional é de R$ 400 a 900 reais. O ideal é que você conheça as doulas e só depois decida qual a ideal para você. Ser Doula não é uma opção, é um chamado, um verdadeiro dom. Para doular você precisa se dedicar de corpo e alma,  abrir mão da sua vida pessoal para ajudar a sua paciente a ter a experiência mais incrível da vida dela. 

Eu doulei pela primeira vez há 4 anos, acompanhando um parto e ajudando 2 mamães no pós-parto, foi puro instinto e me apaixonei pela maternidade, tanto que engravidei 1 mês depois com apenas 17 anos !!!
Apesar de não ter sido planejada a minha filha Sofia foi totalmente desejada, hoje apesar de ser ainda nova
eu tenho sucesso profissional, e o fato de ser mãe ajuda bastante.

Alguns dias são de correria total, a paciente me liga em trabalho de parto, tenho 2 horas para chegar no local
(às vezes menos) e preciso me arrumar, comer, arrumar a Sofia, deixá-la na casa da minha mãe e ir a casa da paciente ou hospital. Alguns partos são rápidos, 2 horas, outros chegam a 30 horas de trabalho!
Também nunca tenho certeza dos meus planos, já desmarquei vários compromissos por ter que ir atender a um parto, e planejar férias é ainda mais difícil. Mas com amor eu vou lidando com tudo isso, ser mãe, ser mulher, estar sempre me atualizando, estudando e tentando ter uma vida pessoal rsrsrsrsr.








Se você esta esperando um bebê, tenha uma doula, ela pode fazer toda a diferença. Obrigada Tati pelo convite, e obrigada a todas
que valorizam o nossa linda missão.

Cris De Melo
Téc. Enfermagem
& Doula!
(48) 9168-0506
cris.sofia20@hotmail.com
www.crisdoula.blogspot.com





Obrigada você, Cris! Imagino como deve ser gratificante esta sua correria, hein?

Beijos, beijos
Tati

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ANOREXIA INFANTIL

Bom dia meninas,
Com muito alegria recebi o convite da Tati para falar de um assunto, que fez parte da minha vida por muitos anos, ANOREXIA INFANTIL.
Meu primeiro filho nasceu em Dezembro de 1999, mamou no peito até os 5 meses, quando precisei retornar ao trabalho, o desmame foi tranqüilo, um belo dia cheguei em casa e achei que o peito não tinha leite, decidi que não ia mais amamentar e assim foi. Naquela época, eu era inexperiente e desinformada não tinha noção de tantos benefícios da amamentação, e acredito que a forma de desmame tenha sido totalmente inadequada.
A introdução de alimentos foi normal, mas ele só aceitava alimentos totalmente líquidos, sopas batidas no liquidificador e mamadeiras coadas. Era uma criança que nunca ganhava peso, por essa razão, íamos à Pediatra toda semana para que ela acompanhasse o peso dele. Imaginem todos os tipos de estimuladores de apetite! Ele tomou. Mas o que resultava, era sono.
Descobrimos então que se tratava de anorexia. Eu jamais poderia pensar que uma criança com menos de 1 ano poderia ter essa doença, que até então pra mim, era doença de adulto.
O fato é que ele rejeitava a comida, fazia vômito só em olhar. Por 2 vezes, o levamos para o hospital com hipoglicemia. Eu, desesperada e sob a péssima orientação dos mais velhos, forçava, tapava o nariz dele, ameaçava bater com o chinelo caso não abrisse a boca, e o que ganhei, foi uma criança traumatizada.
Com 1 ano ele parou totalmente de se alimentar acordado, então, de 3 em 3 horas, eu o colocava pra dormir, e fazia uma mamadeira, para ele tomar.
Não posso precisar especificamente, quando ele voltou à se alimentar, mas até os 3 anos, ele nunca havia feito uma refeição! Sempre evitamos sair, porque ficávamos refém da alimentação dele, já que ele só aceitava cremogema e precisávamos cozinhar.
Sei que foram anos de tortura, tanto pra ele, quanto pra nós! Anos de muito choro, nos quais eu ajoelhava e pedia à Deus somente que meu filho se alimentasse. Podia ser danoninho, gelatina, sorvete, iogurte, biscoitos, pra mim, não importava, mas nem essas coisas de criança ele comia.
Hoje em dia ele não tem uma boa relação com comida. Se alimenta mal, está obeso, colesterol alto e uma auto-estima baixa. Não posso afirmar que tudo isso se deve à anorexia e a nossa pouca habilidade no tratamento dele, mas uma coisa é certa, é uma culpa que nunca vai me largar!
Por isso, prestem atenção na alimentação de suas jóias, pode ser apenas uma falta de apetite normal de criança, ou algo mais grave como uma anorexia.

Fiquei muito feliz quando a Ly aceitou o convite! Mais feliz ainda por ela dividir sua experiência conosco e dar uma "luz" para quem estiver passando por isso ou algo semelhante!
Obrigadão mesmo Ly!
A Ly, tem um Blog lindo que fala de decoração, com muitas dicas e ideias para quem adora coisinhas de casa. 
Beijos, beijos
Tati